Uma prática agrícola tradicional da comunidade de Pantelleria é conhecida como “vinhas do mato”, ou “videiras do mato”, em italiano: “vite ad alberello”. Representam uma prática tão respeitada que essas videiras se tornaram um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, como listado pela UNESCO. Essa forma única de cultivo de uvas destaca-se por sua adaptabilidade ao clima e terreno acidentado da região, resultando em vinhos de qualidade excepcional. Neste texto, exploraremos a técnica, a história e a importância cultural das videiras do mato em Pantelleria, uma ilha vulcânica situada no Mar Mediterrâneo!
Como tudo na Itália, a história das videiras em Pantelleria nos revela uma trajetória milenar. Acredita-se que a técnica de alberello tenha sido introduzida pelos fenícios, um antigo povo que conduzia frequentes trocas comerciais no Mediterrâneo, e que colonizou a ilha. Os fenícios teriam percebido a necessidade de proteger as vinhas do vento e, ao mesmo tempo, maximizar o uso do solo vulcânico. Assim, começavam então a cultivar as uvas em pequenos arbustos, dando origem à técnica das “vite ad alberello”, transmitida através de gerações de viticultores e agricultores da ilha mediterrânea de Pantelleria. São hoje cerca de 5.000 habitantes que possuem um terreno onde cultivam as videiras usando métodos sustentáveis. O conhecimento e as habilidades dos portadores e praticantes são transmitidos nas famílias por meio de instrução oral e prática no dialeto local.
Características da prática
A técnica de cultivo de “vite ad alberello” consiste em várias fases. O terreno é preparado nivelando o solo e cavando uma cova para plantar a videira. O caule principal da videira é então cuidadosamente podado para produzir seis ramos, formando um arbusto com disposição radial. A cavidade é constantemente remodelada para garantir que a planta esteja crescendo no microclima certo – e assim cortadas, assemelham-se a pequenas árvores, como se fossem bonsais, daí o nome “vite ad alberello” (videiras em forma de árvore). Cada arbusto é isolado por pedras empilhadas ao seu redor, criando uma proteção contra o vento e o excesso de luz solar.


Essa prática oferece uma interessante vantagem. As pedras que cercam as vinhas absorvem o calor do sol durante o dia e o liberam durante a noite, mantendo uma temperatura constante no solo. Isso é crucial nas condições climáticas de Pantelleria, onde as temperaturas podem ser extremamente altas durante o dia e frias à noite.
A colheita
As uvas para vinho são colhidas manualmente durante um evento ritual a partir do final de julho. E é quando se iniciam rituais e festas, organizadas entre julho e setembro, que permitem que a comunidade local compartilhe a técnica e a tradição como uma prática social. Devido a tantos ganhos culturais, os povos da Pantelleria continuam a identificar-se com o cultivo das vinhas e esforçam-se por preservar esta prática.
Pantelleria – ilha na região da Sicília



