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O legado de Gian Lorenzo Bernini na história da arquitetura

O legado de Gian Lorenzo Bernini na história da arquitetura

Você sabia que foi o escultor Bernini o responsável pelo projeto arquitetônico da Praça de São Pedro no Vaticano? Vamos voltar um pouco no tempo e traçar um início.

A história da arquitetura está entrelaçada com o legado artístico e inovador da Itália, um país que, desde os tempos do Império, serviu como epicentro para muitos movimentos e estilos arquitetônicos ao longo dos séculos. Nesse contexto riquíssimo, é impossível não destacarmos a figura de Gian Lorenzo Bernini, um dos mais notáveis arquitetos e escultores do período barroco, cujo trabalho continua a exercer uma influência monumental na paisagem arquitetônica global.

Gian Lorenzo Bernini

Retrato de Gian Lorenzo Bernini

O Barroco, um movimento artístico que floresceu nos séculos XVII e XVIII, foi marcado por uma estética teatral, ornamentação extravagante e uma ênfase nas emoções. Nesse cenário, Bernini emergiu como um líder incontestável, contribuindo não apenas para a escultura, mas também para a arquitetura com uma visão unificadora que transcendia os limites tradicionais dessas disciplinas.

Piazza San Pietro

Praça São Pedro no Vaticano

As contribuições arquitetônicas de Bernini são imortalizadas em obras como a Praça de São Pedro, no Vaticano. Seu design grandioso, com uma colunata que abraça os visitantes, não apenas cria uma sensação de boas-vindas, mas também incorpora simbolismos religiosos, revelando uma profunda compreensão da interação entre o espaço físico e as pessoas. A Praça de São Pedro é um testemunho da maestria de Bernini em unir elementos arquitetônicos e artísticos para criar experiências transcendentais.

Praça Vaticano São Pedro

Igreja de Santa Maria della Vittoria

Outra realização arquitetônica notável de Bernini é a composição da Capela Cornaro, na Igreja de Santa Maria della Vittoria, em Roma, onde Bernini colocou uma de suas esculturas mais conhecidas, L’Estasi di Santa Teresa d’Avila.

Igreja Santa Maria della Vittoria em Roma
A Igreja de Santa Maria della Vittoria
Êxtase de Santa Teresa de Bernini

“O Êxtase de Santa Teresa” é a peça central neste espaço sagrado, onde Bernini transcendeu as limitações físicas, dando vida à escultura e à arquitetura de maneira harmoniosa. É uma obra-prima que combina a escultura, a iluminação vinda de cima, por uma claraboia, e portanto a arquitetura para evocar uma experiência única. Bernini não apenas desenha o espaço, mas manipula a luz e a forma física da matéria para guiar as emoções dos espectadores, transformando a capela em um teatro celestial.

Estatua Êxtase de Santa Teresa de Bernini

A influência de Bernini estende-se para além das fronteiras italianas. O arquiteto desempenhou um papel significativo na formação do estilo barroco que se espalhou por toda a Europa e além. Seu conceito de fusão entre escultura e arquitetura influenciou gerações subsequentes de arquitetos, moldando a maneira como o espaço é percebido e experimentado. Os princípios inovadores de Bernini também deixaram uma marca indelével em arquitetos contemporâneos, que continuam a encontrar inspiração em sua abordagem integrada.

No entanto, o legado de Bernini vai além de suas realizações físicas. Seu trabalho influenciou a própria natureza da prática arquitetônica, destacando a importância da narrativa e da emoção na concepção de espaços. A busca incessante por uma fusão entre o divino e o humano permeia sua obra, revelando uma compreensão única da arquitetura como meio de comunicação espiritual.

São feitos monumentais que não apenas adornam as paisagens urbanas, mas também moldam a própria essência da disciplina. A genialidade de Bernini ressoa através do tempo, demonstração duradoura da capacidade humana de transcender as limitações físicas e dar forma à matéria bruta dos edifícios e à matéria metafísica da fé e das narrativas que perduram há milênios.

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Preservação dos centros históricos na Itália: o impacto dos aluguéis de curto prazo

Preservação dos centros históricos na Itália: o impacto dos aluguéis de curto prazo

A preservação dos centros históricos enfrenta novos desafios no cenário contemporâneo, com a ascensão dos aluguéis de curto prazo, amplificados por plataformas como o Airbnb. Enquanto esses serviços oferecem aos visitantes uma experiência mais autêntica, o impacto nos imóveis históricos é motivo de crescente preocupação.

A principal questão reside na transformação dos lares históricos em acomodações turísticas, muitas vezes gerando aumento nos preços dos aluguéis e alterando a dinâmica social. A demanda por acomodações temporárias impulsiona a conversão de residências locais em opções de hospedagem, ameaçando a integridade arquitetônica e cultural dos centros históricos.

Imagem de Firenze

Grande oferta de aluguéis de curto prazo

Muitas cidades ao redor do mundo vêem no Airbnb e em serviços similares uma razão para explicar o fenômeno de esvaziamento populacional dos centros históricos, cada vez mais tomados por uma variação constante de pessoas, o que altera drasticamente as rotinas internas dos prédios. E o principal problema é que, com uma oferta irrestrita de imóveis para aluguéis breves, os proprietários conseguem um lucro maior e desejam cada vez menos fechar contratos de longa duração. Por consequência, os aluguéis de longa duração também ficam mais caros e as pessoas acabam se afastando em busca de regiões com valores mais acessíveis.

Ruas de Firenze cheias por conta de aluguéis de curto prazo

Para enfrentar esse desafio, algumas cidades estão implementando regulamentações mais rigorosas. Firenze (Florença), por exemplo, nada menos do que o berço do Renascimento, encontra-se no epicentro da batalha entre o turismo moderno e a preservação de seu patrimônio histórico. Recentemente, em junho de 2023, a prefeitura de Florença, através do prefeito Dario Nardella, anunciou que iria proibir a utilização de imóveis residências do centro histórico da cidade para aluguéis breves de serviços como o Airbnb, buscando proteger sua rica herança cultural e também o acesso a aluguéis de longa duração.

Dario Nardella
Dario Nardella, prefeito de Firenze

A missão é incentivar à recolocação de moradias fixas no centro histórico, que, com o passar do tempo, tem sofrido com um “êxodo” de moradores – uma saída que, agora, segundo o prefeito, poderá ser revertida com o fornecimento de incentivos fiscais para proprietários que queiram voltar atrás.

O prefeito Dario Nardella falou sobre a proibição:

“Questa iniziativa non è una panacea ma è un passo concreto […] proviamo a fare breccia in questa situazione di inerzia nel Paese. L’articolo 9 stabilisce che la Repubblica deve tutelare il patrimonio storico e artistico della Nazione. E i centri storici non lo sono? L’unica cosa che non vogliamo permetterci è stare a guardare. Non ci hanno votato per questo.”

E essa é uma medida que está em uníssono com um projeto nacional, em que o governo italiano prometeu implementar um pacote de ações de coibição de aluguéis breves.

Duomo di Firenze

Tudo isso visa equilibrar as necessidades dos turistas com a preservação das comunidades locais, assegurando que os centros históricos continuem sendo locais habitáveis e autênticos.

Ao proteger seus edifícios centenários, Florença pretende preservar não apenas uma paisagem urbana única, mas também a qualidade de vida de seus residentes. Essa ação, apesar de controversa, destaca a importância de abordagens proativas para proteger o legado cultural enquanto enfrenta os desafios do turismo moderno.

Assim, cada vez mais, promover um turismo mais sustentável e consciente torna-se uma prioridade. Incentivar a diversificação de opções de hospedagem, como hotéis ou pousadas gerenciadas localmente, pode reduzir a pressão sobre os imóveis históricos. E a organização de parcerias entre governos locais, com projetos nacionais, é essencial para desenvolver políticas que conciliem o turismo com a preservação do patrimônio.

Essa preservação dos centros históricos requer uma abordagem equilibrada, considerando tanto as necessidades dos turistas quanto a proteção dos valores culturais e arquitetônicos. A busca por soluções inovadoras e sustentáveis é vital para garantir que essas áreas preciosas continuem a ser pontos de encontro seguros e acessíveis, beneficiando tanto os habitantes locais quanto os visitantes.

Florença pode mais uma vez, tal como no Renascimento, servir como exemplo eloquente de como as cidades históricas devem avançar em direção a um novo tempo, com um equilíbrio sustentável entre valores locais, turismo e preservação histórica.

Agora clique aqui e aproveite para acompanhar o Prof. Darius pelas ruas de Firenze, conhecendo os caminhos únicos que essa cidade oferece aos turistas e aos moradores:

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Os fascinantes sassi de Matera, a cidade que renasce

Os fascinantes sassi de Matera, a cidade que renasce

Na região montanhosa da Basilicata, no sul da Itália, encontra-se uma cidade que parece ter surgido de um filme de fantasia. Matera, com sua paisagem única de cavernas esculpidas nas colinas, é um dos destinos mais fascinantes e exclusivos da Itália. São conhecidos como “sassi”, porque o termo deriva do latim “saxum“, que significa “colina” ou “grande pedra“. São casas construídas umas sobre as outras, unidas por ruas sinuosas e escadarias íngremes, habitadas desde a antiguidade até o meio do século passado.

Esses antigos assentamentos humanos nas grutas e nas ravinas oferecem uma visão extraordinária da convivência harmoniosa entre a humanidade e a natureza ao longo dos séculos, mas é também um caminho para conhecermos a história de desafios de sobrevivência e, especialmente, da superação de Matera, cidade que era chamada de “uma vergonha nacional”, até se tornar orgulho e patrimônio mundial.

Os primeiros assentamentos

A história de Matera remonta a milênios, com evidências de assentamentos humanos na área que datam de mais de 10.000 anos atrás. A cidade é considerada uma das mais antigas a terem sido continuamente habitadas. Os primeiros habitantes escavaram as colinas rochosas para criar abrigos nas grutas naturais. Com o tempo, essas cavernas foram expandidas e adaptadas para a vida humana.

Sassi de Matera

A singularidade dos sassi de Matera reside na sua arquitetura de pedra crua, que se mistura perfeitamente com a paisagem circundante. As casas, igrejas e lojas são escavadas diretamente nas encostas das colinas, criando um cenário impressionante de habitações interconectadas. As ruas estreitas serpenteiam pelas ravinas, e as praças oferecem vistas deslumbrantes das formações rochosas e das planícies circundantes.

O renascimento dos sassi

No século XX, Matera passou por um período sombrio, com condições de vida nas cavernas que eram insalubres e inadequadas para os padrões modernos. Em 1952, o governo italiano tomou medidas drásticas, realocando a população das grutas para novos bairros. A cidade foi parcialmente abandonada e ganhou a reputação de “vergonha nacional”.

No entanto, a situação começou a mudar nas décadas seguintes. Nos anos 80, projetos buscaram soluções, como a do financiamento de famílias que quisessem viver na cidade. E em 1993, a UNESCO reconheceu o valor dos sassi de Matera, declarando-os Patrimônio Mundial. Esse reconhecimento trouxe uma nova luz à cidade, levando ao investimento em restaurações e a gradual revitalização dos espaços públicos. Os “sassi” começaram a atrair artistas, artesãos e visitantes curiosos, que viram o potencial de Matera como um local de beleza e história incomparáveis.

Um cenário de cinema

Locação do filme Evangelho Segundo São Matheus
“O Evangelho segundo São Mateus” (1964) – Bastidores, o diretor Pasolini ao fundo

Os sassi de Matera não são apenas um marco arquitetônico, mas também um cenário cinematográfico impressionante. A cidade tem uma aura única que a tornou um local ideal para representar cenários bíblicos e históricos, assim foi no princípio, quando filmes famosos foram filmados ali, incluindo “O Evangelho segundo São Mateus” (Pier Paolo Pasolini, 1964), “A Paixão de Cristo” (Mel Gibson, 2004), “The Nativity Story” (Catherine Hardwicke, 2006 ) e “Ben-Hur” (Timur Bekmambetov, 2016). Depois dessa popularização, outros gêneros viram no espaço de Matera a estética ideal para suas histórias, como “007 – Sem Tempo para Morrer” (Cary Fukunaga, 2021). E paisagens de Matera foram até utilizadas como ambientação na criação da fictícia cidade de Themyscira, nas gravações de Mulher-Maravilha (Patty Jenkins, 2017).

Locação 007 em Matera
007 – Sem Tempo para Morrer (2021)
Filme 007 em locação em Matera
Matera foi locação do filme 007 – Sem Tempo para Morrer (2021)

Os “sassi” proporcionam uma atmosfera nostálgica que enriquece a narrativa e a estética dos filmes. A cidade continua a atrair cineastas de todo o mundo, que buscam a autenticidade e a beleza das locações naturais de Matera.

Turismo responsável e sustentabilidade

Com o aumento do turismo, Matera enfrentou o desafio de equilibrar a preservação de seu patrimônio histórico com a necessidade de desenvolvimento econômico. As autoridades locais estão comprometidas em garantir que o turismo seja sustentável e benéfico para a cidade e seus habitantes. Restrições cuidadosamente gerenciadas ao desenvolvimento e regulamentos de restauração garantem que a autenticidade dos “sassi” seja mantida.

Matera agora oferece uma experiência única para os visitantes, com acomodações em hotéis espetaculares nas grutas e com restaurantes que servem pratos tradicionais. Os passeios a pé pelos “sassi” permitem que os turistas mergulhem na história e na cultura da cidade.

Hotel na gruta em Matera
Experiência em Matera

Poder ver de perto essas estruturas, e entender os caminhos que a humanidade precisou trilhar para constituir sociedades e culturas, é testemunhar a capacidade humana de se adaptar ao ambiente de maneira criativa e sustentável. Em Matera, os turistas fazem uma viagem pela História, podendo olhar não apenas para um passado difícil, mas também para o futuro, vendo no presente uma possibilidade de redenção.

Por todas essas razões, pudemos entender como é importante a preservação cuidadosa do patrimônio de Matera, para que as futuras gerações possam apreciar a beleza e a singularidade deste local fascinante. Matera é verdadeiramente um tesouro italiano que merece ser descoberto e admirado.

Aproveite para assistir ao nosso registro feito em Matera, quando gravamos as descobertas do Prof. Darius, acompanhado da guia turística local, Giusy Schiuma, que apresentou tudo e mais um pouco dessa cidade incrível!

Clique aqui e viaje conosco! 

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Carnaval de Veneza: encanto histórico das máscaras e das águas

Carnaval de Veneza: encanto histórico das máscaras e das águas

O Carnaval de Veneza é uma das celebrações mais icônicas e encantadoras da Itália e do mundo. Neste ano, acontecerá de 09 a 13 fevereiro. Esta festa extravagante, conhecida por suas elegantes máscaras e trajes elaborados, tem raízes profundas na história veneziana e atrai visitantes de todo o planeta. Vamos explorar a fascinante história e as tradições que tornam o Carnevale di Venezia uma experiência única.

Origens do Carnaval de Veneza

As origens do Carnaval de Veneza remontam ao século XI, quando a República de Veneza era um dos principais centros comerciais e culturais da Europa. A festa originalmente marcava o início da Quaresma, um período de jejum e abstinência antes da Páscoa. Durante o Carnaval, como é comum em todas as festividades carnavalescas desde a Idade Média, as restrições sociais eram suspensas, permitindo que as pessoas de todas as classes sociais se misturassem anonimamente. Esse é um elemento importante que descreve os movimentos de carnavalização, a superação das classes por meio da fantasia, da máscara e das variadas inversões de papéis que colocam os indivíduos diante da possibilidade de serem outras pessoas durante a festa. É então no espaço público que essas pessoas descobrem outras maneiras de ser e de pensar.

Desfile do Carnaval de Veneza

Máscaras e disfarces

Uma das características mais distintas do Carnaval de Veneza é o uso de máscaras e trajes elaborados. As máscaras venezianas variam de simples meias-máscaras até criações que cobrem o rosto inteiro. Surgiram nessa época profissões e famílias como os “mascareri”, artesãos que produziam as máscaras para os foliões. As mais famosas são as máscaras da Commedia dell’Arte, inspiradas nos personagens da comédia italiana do século XVI. Usar uma máscara permitia que as pessoas se expressassem livremente e se envolvessem em comportamentos que, de outra forma, seriam socialmente inaceitáveis.

Máscaras coloridas do Carnaval de Veneza

E não apenas as ruas de Veneza também ganham as cores das fantasias com desfiles extravagantes e competições, também as águas ficam tomadas de gôndolas coloridas, carregando pessoas fantasiadas. Os desfiles são uma verdadeira festa para os olhos, com participantes vestidos com trajes espetaculares e máscaras ornamentadas. E os concursos de fantasias destacam a criatividade e a habilidade dos venezianos em criar trajes deslumbrantes.

No início do século XVII, com o aumento do número e da qualidade das companhias de teatro, desenvolveram-se verdadeiras atividades ligadas ao mundo da comédia teatral, das artes cênicas e do artesanato de figurinos e máscaras.

Carnaval de Veneza

Inúmeros dramaturgos talentosos surgiram nesse período, tornando-se famosos por realizarem obras cada vez mais refinadas e complexas. A definição de commedia dell’arte nasceu em Veneza, e remonta a 1750, quando o dramaturgo Carlo Goldoni a introduziu em sua comédia Il Teatro Comico.

Carnaval de Veneza: bailes de Máscaras e Festas

Os bailes de máscaras são uma parte essencial do Carnaval de Veneza. Durante os dias de festa, muitos palácios históricos de Veneza abrem suas portas para festas extravagantes. Nestes bailes, os participantes dançam ao som de música clássica e usam trajes elegantes, criando uma atmosfera nostálgica de luxo e romance. Uma verdadeira viagem no tempo. O baile mais famoso é o “Baile do Ridotto”, que teve sua origem no século XVIII e é considerado um dos eventos mais prestigiados do Carnaval.

O declínio e o renascimento

O Carnaval de Veneza experimentou um declínio no século XVIII, com a queda da República de Veneza e a ascensão de Napoleão Bonaparte. Em 1797, com o levante do imperador francês, o carnaval deixou de ser comemorado. Durante muitos anos, a celebração foi proibida sob o domínio austríaco. No entanto, o espírito do Carnaval nunca foi esquecido, e ele ressurgiu no século XX.

Crianças no Carnaval

La Festa delle Marie: o carnaval hoje em dia

Hoje, o Carnaval de Veneza é uma celebração internacionalmente reconhecida que atrai visitantes de todo o mundo. A festa começa cerca de duas semanas antes da Terça-feira de Carnaval e culmina nesse dia, quando ocorre o famoso Il Volo dell’Angelo (Voo do Anjo). Durante essa cerimônia, uma jovem desce do Campanário de São Marcos até a Praça de São Marcos, simbolizando o início das festividades.

Il Volo dell’Angelo

É incrível pensar que uma festa tão antiga passou tanto tempo sem realizações. Foi tanto tempo que é possível entender a reconstrução da arte desse evento como uma arqueologia. Somente em 1999 a antiga Festa delle Marie (Festa das Marias) foi finalmente restaurada – ressurgindo feito fóssil, cerca de seiscentos anos depois! A ambientação da Festa delle Marie combina a reconstituição histórica da antiga procissão com um concurso de fantasias mais moderno.

Máscara do Carnaval de Veneza

Durante as semanas que antecedem a Terça-feira de Carnaval, Veneza se enche de festas, desfiles, competições de fantasias e eventos culturais que atraem visitantes de todo o mundo. A cidade se transforma em um palco de luxo e mistério, e as tradições centenárias do Carnaval são honradas a cada ano.

Carnaval de Veneza: preservando a tradição

O Carnaval de Veneza é uma celebração que preserva a rica herança cultural e histórica da cidade. As tradições de máscaras e trajes suntuosos continuam a ser honradas, e os venezianos trabalham arduamente para manter viva essa parte importante de sua identidade cultural. Trata-se, portanto, de uma reconstrução histórica que é muito mais do que uma simples festa. É uma celebração do ressurgimento de uma antiga Veneza, de sua cultura original e da criatividade de gerações e gerações de séculos distantes.

As raízes profundas e tradições encantadoras cativam aqueles que têm a sorte de participar. Ao visitar Veneza durante o Carnaval, você terá a oportunidade de mergulhar em um outro mundo, onde o passado e o presente se entrelaçam de maneira única. É uma experiência que deixa uma impressão duradoura na memória.

Aproveite para assistir o momento em que o Prof. Darius experimentou a sensação de uma viagem no tempo em Veneza, quando passeou pela cidade com a Profa. Paola Baccin, conhecendo mais sobre a máscara usada no período da Peste e também entendendo a data comemorativa que é festejada no dia 21 de novembro. Tudo isso à bordo de um trabaccolo, um verdadeiro barco da época mantido até hoje em Veneza!

Voltei no tempo em Veneza: Peste Negra

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Envelhecimento na Itália: os desafios e as oportunidades

Envelhecimento na Itália: os desafios e as oportunidades

A Itália não é conhecida apenas como uma nação rica em herança cultural e histórica, recentemente as notícias têm aumentado sobre os dados que apontam que o Bel Paese enfrenta um desafio demográfico que moldará significativamente seu futuro. Entra ano, sai ano, lemos estudos afirmando que a população da Itália está cada vez mais idosa, e que na União Europeia, a Itália é o país que envelhece mais rápido! Portanto, é fato: nas últimas décadas, a população idosa na Itália tem crescido de forma constante, levando a uma mudança fundamental na estrutura etária do país. Esse aumento no número de idosos apresenta desafios significativos, mas também oportunidades únicas para a sociedade italiana.

A Itália apresenta uma das expectativas de vida mais altas do mundo, com uma taxa de fertilidade relativamente baixa. Isso resulta em uma população mais idosa, com um número crescente de pessoas com 65 anos ou mais. Atualmente, 23% da população tem 65 anos ou mais, e esse número deve aumentar para 33% até 2050. Esse envelhecimento traz, por exemplo, desafios econômicos, pois significa que há uma diminuição da força de trabalho, que, quando entra em declínio, aponta a necessidade de se ajustar o sistema de previdência social para atender a essa população crescente.

Também o sistema de saúde começa a passar por uma nova fase de adaptação, para se ajustar às necessidades de saúde específicas dos idosos.

Pirâmide etária populacional da Itália

Nos últimos anos, o sistema de saúde italiano está se adaptando para oferecer cuidados de saúde de alta qualidade aos idosos. Programas de prevenção e tratamento de doenças crônicas, bem como cuidados paliativos, estão se tornando cada vez mais relevantes. Além disso, muitos idosos italianos desfrutam de uma vida ativa e saudável, com uma dieta mediterrânea e um estilo de vida que valoriza o convívio e o exercício físico. Aliás, você sabia que algumas cidades italianas entraram para o livro dos recordes com as maiores expectativas de vida do planeta?

Clique aqui para ler nosso artigo sobre O segredo dos italianos para viverem até os 100 anos.

Idosos na Itália

Apesar dos desafios, o envelhecimento da população também traz oportunidades. A sabedoria e a experiência dos idosos são muito valorizadas na sociedade italiana. Muitos idosos desempenham papéis ativos na família, na comunidade e na política, proporcionando uma rica fonte de conhecimento e liderança.

Além disso, a Itália tem uma rica tradição de solidariedade intergeracional, em que as gerações mais jovens têm a responsabilidade de cuidar e apoiar os idosos. Isso cria laços fortes dentro das famílias e comunidades. Um ótimo exemplo disso é a tradição da Festa dei Nonni na Itália. Aproveite para ler aqui nosso artigo sobre essa importante data, que celebra a sabedoria e o amor dos avós!

Terceira idade na Itália

Embora o envelhecimento da população na Itália seja um desafio complexo, podem descobrir oportunidades únicas em uma sociedade que saiba repensar a maneira como valoriza e apoia seus idosos. A Itália poderá, cada vez mais, capitalizar a sabedoria e a experiência de sua população mais velha, reforçando os laços familiares e comunitários. A adaptação a essa mudança demográfica, em qualquer sociedade, é fundamental para garantir um futuro próspero e sustentável ao país e aos seus cidadãos de todas as idades.

Viva a Itália e o legado dos mais velhos!

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A inigualável pizza napoletana: patrimônio da humanidade

A inigualável pizza napoletana: patrimônio da humanidade

A pizza é um dos pratos mais icônicos da culinária italiana e, sem dúvida, um dos mais amados em todo o mundo. Uma das variedades mais autênticas e reverenciadas é a Pizza Napoletana, que tem raízes profundas na cidade de Nápoles, no sul da Itália. Neste artigo, exploraremos a origem dessa tradição e as diferentes variedades dessa pizza que conquistou o paladar global e se tornou, simplesmente, um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, nomeado pela UNESCO.

Origens da Pizza Napoletana

A história da Pizza Napoletana remonta ao século XVII, quando a pizza era vendida principalmente nas ruas de Nápoles. As camadas mais pobres da sociedade napolitana apreciavam esse alimento acessível e saboroso, e a receita das pizzas de Nápoles matavam a fome dos diversos trabalhadores, conhecidos por “lazzaroni”. Esse status da pizza só viria a mudar muito depois, com a unificação da Itália – mas isso é uma história para um próximo artigo!

A pizza que conhecemos hoje como Pizza Napoletana tinha características diferentes naquela época. Era uma massa simples de pão, geralmente coberta com ingredientes como tomate, alho, manjericão e queijo, às vezes com queijo caciocavallo, outras vezes com anchovas.

Foi somente no final do século XIX que a pizza começou a evoluir em direção à sua forma atual. A adição do queijo mozzarella, uma cobertura de tomate, manjericão e azeite de oliva, é atribuída a um pizzaiolo napolitano chamado Raffaele Esposito. Diz a lenda que ele criou essa e outras pizzas em homenagem à rainha Margherita de Saboia, em 1889, incorporando as cores da bandeira italiana em sua receita. Assim, nascia a Pizza Margherita com a receita escolhida como favorita pela rainha, e que rodaria o mundo marcando a essência e a tradição da Pizza Napoletana.

Características específicas da Pizza Napoletana

A Pizza Napoletana é conhecida por suas características distintas que a diferenciam de outras variedades de pizza. Primeiramente, a massa deve ser fina, elástica e macia, com uma borda ligeiramente inflada. A fermentação natural da massa é essencial para seu sabor e textura únicos. E a utilização de farinha de grano duro, água, sal e fermento natural é um aspecto fundamental da autenticidade da Pizza Napoletana.

A cobertura da Pizza Napoletana é simples e tradicional. Ela é composta por tomates San Marzano, que são famosos por seu sabor adocicado e baixa acidez, mussarela de búfala, manjericão fresco e azeite de oliva extra virgem. A combinação desses ingredientes frescos e de alta qualidade resulta em uma explosão de sabores irresistíveis. Outra característica importante é o método de cozimento. A Pizza Napoletana é tradicionalmente assada em forno a lenha a uma temperatura muito alta, geralmente entre 430°C e 485°C. Isso permite que a pizza seja cozida rapidamente, em apenas alguns minutos, criando uma base crocante e uma borda levemente chamuscada. Essa técnica confere à pizza uma textura delicada e sabor inigualável.

Variedades regionais

Embora a pizza margherita seja a variação mais famosa da pizza napoletana, existem outras versões regionais que merecem reconhecimento. Uma delas é a chamada pizza marinara, que leva tomate, alho, azeite de oliva, orégano e, às vezes, anchovas. Ela é uma opção com um equilíbrio de sabores bastante apurado.

Outra variedade notável é a pizza capricciosa, que inclui mussarela, presunto cozido, cogumelos, azeitonas e alcachofras. Ela é conhecida por sua mistura de sabores e ingredientes frescos.

Na região de Campania, a pizza margherita ganha uma versão especial chamada “Pizza Margherita Extra”, que utiliza ingredientes considerados ainda mais “premium”, como tomates de San Marzano DOP e mussarela de búfala Campana DOP. (DOP significa Denominação de Origem Protegida e se refere a indicações geográficas definidas na legislação da União Europeia para proteger nomes das cozinhas regionais. É o caso do pomodorino vesuviano, que vimos no artigo Poesia ao redor do Vesúvio.)

La Vera Pizza Napoletana: reconhecimento internacional e proteção

A Pizza Napoletana conquistou o reconhecimento internacional e foi inscrita na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2017. Isso reflete a importância cultural e histórica da pizza na sociedade italiana e global.

Para garantir a autenticidade da Pizza Napoletana, a Associação de Pizza Napoletana (AVPN) estabeleceu diretrizes rigorosas para pizzaiolos e restaurantes. Essas diretrizes abrangem a escolha de ingredientes de qualidade, a preparação adequada da massa, a técnica de cozimento em forno a lenha e a apresentação final da pizza. Isso assegura que os amantes da Pizza Napoletana possam desfrutar de uma experiência autêntica e de alta qualidade em todo o mundo.

Em resumo, a Pizza Napoletana é uma tradição culinária que se originou em Nápoles e conquistou o mundo com suas características distintas e um sabor inigualável. Desde a icônica Pizza Margherita até as variações regionais, essa pizza é uma verdadeira obra-prima da gastronomia italiana. Portanto, ao saborear uma autêntica Pizza Napoletana, você não está apenas degustando um prato delicioso, mas também celebrando uma parte essencial da rica herança culinária italiana.
Deu água na boca, né? Agora, antes de sair por aí procurando a pizzaria mais próxima de você, aproveite para assistir ao vídeo que o Prof. Darius gravou especialmente em solo italiano, em Treviso, no nordeste da Itália, localizada na região do Vêneto! Ele “invadiu” a cozinha de uma pizzaria para mostrar pra você o que é que existe de tão especial na pizza italiana!

Buona visione! E buon appetito!

A presto!