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Os burgos medievais italianos: tesouros das montanhas

Os burgos medievais italianos: tesouros das montanhas

Burgos italianos são cidades fortificadas, tesouros da civilização medieval que a Itália abriga nos topos das colinas, feito miniaturas saídas dos sonhos. Essas cidades estão localizadas nos topos das montanhas por uma boa razão, como veremos ao longo do texto de hoje. Nos burgos, encontramos ruas estreitas e uma arquitetura encantadora, com edificações que há séculos são testemunhas silenciosas do florescimento da cultura e da sobrevivência de uma sociedade que enfrentou desafios do período das invasões dos bárbaros.

Burgos medievais: vimos de perto!

Em uma de nossas viagens, descobrimos uma Cidade Fantasma, localizada no Monte Antuni, que nos ensinou muito sobre o período de formação dos burgos.

Aprendemos com o nosso guia Giovanni Giovanelli que os burgos foram vilarejos medievais construídos geralmente no topo das colinas, por conta de sua posição estratégica na defesa contra invasões, que eram constantes na Idade Média. Foi um período da história chamado de “encastelamento”. Era um tempo em que os castelos não eram necessariamente luxuosos, como aqueles que imaginamos quando pensamos na aristocracia: eram construções que prestavam apenas ao objetivo de defender o povo nos momentos de perigo.

Uma era de fragmentação

Durante a Idade Média, a Itália não era uma nação unificada, como a conhecemos hoje. Era uma terra fragmentada, dividida em pequenos reinos e cidades-estado. Foi nesse cenário que os burgos medievais começaram a surgir. Essas cidades fortificadas eram construídas em colinas e montanhas, estrategicamente posicionadas para defesa contra invasões. Suas muralhas imponentes e portões maciços eram testemunhas de uma época de incerteza e conflito.

Por isso, caminhar pelas ruas de um burgo medieval é como fazer uma jornada no tempo. Ruas de paralelepípedos, casas de pedra e praças pitorescas criam uma atmosfera encantadora. Muitos desses burgos são notáveis também por suas igrejas ornamentadas, cujas fachadas e interiores são testemunhos da devoção religiosa e do talento artístico da época, que resistiam a um período de sobrevivência, muitas vezes graças às contribuições dos cidadãos do burgo, que se juntavam em doações para garantir que o espaço público contasse com a construção de uma área de comunhão. Nesse caso, a fé se provava mais uma aliada, tanto do ponto de vista da fé, como nas questões práticas da defesa física do espaço. As igrejas antigas faziam parte da fortificação, como um complexo defensivo que podia se unir às torres de um burgo, criando um único corpo de abrigo e defesa. Um bom exemplo disso é a Igreja de San Giovanni Evangelista que pudemos ver de perto, em Castel di Tora.

Comércio, cultura e os riscos das construções no topo das colinas

Os burgos medievais não eram apenas fortalezas defensivas, mas também centros de comércio e cultura. Suas localizações estratégicas ao longo de rotas comerciais importantes permitiam o florescimento do comércio. Os artesãos locais produziam artigos de luxo, como jóias, tapeçarias e cerâmica, que eram exportados para outras regiões da Europa.

Além disso, essas cidades fortificadas eram frequentemente centros de aprendizado e cultura. Mosteiros e escolas desempenhavam um papel fundamental na preservação do conhecimento e na educação. Os manuscritos iluminados e os tratados filosóficos produzidos nesses burgos medievais ainda são estudados e admirados hoje em dia.

Civita di Bagnoregio

 Civita di Bagnoregio
Civita di Bagnoregio

Outro burgo impressionante que pudemos conhecer de perto é o da Civita di Bagnoregio.

Imagine uma cidade medieval nas nuvens, correndo o risco de desaparecer porque foi construída no topo de uma montanha que está se desfazendo devido à erosão. Ela existe, está na Itália e nós tivemos a chance de aprender muito com as pessoas que encontramos no local, como um geólogo, com quem cruzamos por acaso, e que pôde nos explicar em detalhes sobre o processo de erosão que ameaça a existência desse burgo.

Civita di Bagnoregio na Itália

Bagnoregio é uma comuna italiana de apenas 3 mil habitantes, que está ligada ao topo de uma montanha por uma ponte. Do outro lado da ponte existe uma outra cidade, Civita di Bagnoregio, uma espécie de cidadezinha-satélite, localizada no topo de uma elevação montanhosa que os geólogos chamam de “sperone tufaceo” (esporão tufáceo). Para entrarmos, só mesmo atravessando a pé a ponte, sabendo que do outro lado nos espera uma história sem igual em todo o mundo!

Civita di Bagnoregio foi onde nasceu São Boaventura, em 1274. O local onde existia sua casa de infância já caiu à beira do precipício há muito tempo, em função do ritmo acelerado da erosão, que faz as camadas de barro e pedra deslizarem. Aos poucos, a cidade se torna uma ilha. Por tudo isso, é claro que poucas pessoas iriam querer continuar vivendo ali. A população hoje varia entre apenas cerca de 12 pessoas no inverno, e aproximadamente 100 no verão!

Para assistir nossa visita a esse lugar incrível, é só clicar aqui!

Buona visione!

A presto!

“Funiculì, Funiculà”: a canção que sobreviveu às erupções do Vesúvio!

“Funiculì, Funiculà”: a canção que sobreviveu às erupções do Vesúvio!

A música “Funiculì, Funiculà” é uma das canções mais icônicas e alegres da Itália, conhecida por seu ritmo cativante e letras animadas. Difícil encontrar quem já não tenha escutado em algum momento da vida. Geralmente é associada à culinária italiana, muito ouvida em momentos de demonstração do que a Itália exportou para o mundo. Hoje poderemos ir além dessas impressões gerais, para conhecer a origem e os significados. Esta canção, que se tornou um hino não oficial de Nápoles e uma parte importante da cultura musical italiana, tem uma história fascinante de composição, um autor talentoso e significados profundos em sua letra.

Atrações funicular Itália
Partitura Funiculi funicula

A história de “Funiculì, Funiculà”

A história remonta ao final do século XIX, mais precisamente ao ano de 1880. Ela foi escrita como um hino para celebrar a inauguração de um novo funicular (um tipo de transporte ferroviário inclinado) que conectava a cidade costeira de Nápoles ao topo do Monte Vesúvio, um vulcão ativo famoso em todo o mundo.

Atrações funiculare Itália

Giuseppe Turco

O autor desta alegre composição é Giuseppe Turco, um jornalista e poeta napolitano, conhecido também como Peppino Turco. Turco foi encarregado de criar uma música festiva para a cerimônia de inauguração do funicular. Em parceria com o talentoso compositor Luigi Denza (foto ao lado), a dupla criou a melodia e as letras que logo se tornaram um sucesso.

Luigi Denza um dos compositores de Funiculi Funicula

Ela foi cantada pela primeira vez em Castellammare di Stabia, no Hotel Quisisana no dia 6 de junho de 1880. E no mesmo ano, foi apresentada por Turco e Denza no Festival de Piedigrotta.

Hotel Quisisana na Itália
Hotel Quisisana, em Castellammare di Stabia.
Vista para o Vesúvio Itália

A letra da música descreve vividamente a empolgante experiência de subir o Monte Vesúvio no novo funicular, uma aventura emocionante para os moradores e visitantes de Nápoles na época. A palavra “funiculì” é uma contração que une duas palavras: “funicolare” (funicular) e “lì” (ali). Enquanto “funiculà” é a contração de “funicolare” + “là” (lá). Assim, a música transmite a ideia de movimento, o deslocamento daqueles que sobem, daqui até lá, pelo funicular que levava ao topo do Vesúvio, onde se poderia desfrutar de vistas deslumbrantes da baía de Nápoles e do Golfo de Nápoles.

Luigi Denza – Funiculi, Funicula [HQ]

A canção rapidamente se tornou popular em Nápoles e em toda a Itália, cativando o coração do público com seu ritmo vibrante e letras alegres. Ela também se espalhou por todo o mundo, tornando-se um símbolo da música italiana.

Ao longo dos anos, “Funiculì, Funiculà” foi interpretada por inúmeros artistas, tanto italianos quanto internacionais, e foi usada em diversos filmes, programas de televisão e comerciais, solidificando ainda mais sua posição como uma das músicas italianas mais reconhecíveis e queridas.

Duas das apresentações muito conhecidas são a de Luciano Pavarotti, em 1995, e a de Andrea Bocelli, em 2009, cantando dentro do Coliseu! Assistam:

Além de sua associação com o transporte até o Monte Vesúvio, “Funiculì, Funiculà” também é frequentemente executada em festas e celebrações, sendo um elemento essencial nas festividades italianas. Sua energia contagiosa e letras festivas fazem dela uma escolha perfeita para animar qualquer ocasião.

A letra da música é uma celebração da beleza da natureza, da aventura e do espírito napolitano. Ela evoca a sensação de liberdade e excitação que as pessoas sentiam ao subir o Monte Vesúvio e contemplar a paisagem deslumbrante ao redor. Mesmo após mais de um século desde sua criação, “Funiculì, Funiculà” continua a ser uma canção atemporal que encanta e emociona as pessoas.

Vista para as construções do funicular ao pé do Monte Vesúvio
Vista para as construções do funicular ao pé do Monte Vesúvio

Você percebeu que citamos o prazer que as pessoas sentiam nessa subida, mas falamos tudo no passado? É porque a história da construção do funicular deu lugar também a uma história repleta de reconstruções e desafios. Vejam só…

Não é nada simples construir um funicular que sobe o monte de um vulcão ativo. No ano de 1906, ocorreu uma erupção do Vesúvio, que causou a destruição das duas estações do funicular, a superior e a inferior. Além disso, os bondes, os equipamentos e também o restaurante construído na base do monte foram destruídos – ou melhor dizendo, engolidos pelas lavas e cobertos pelas cinzas.

Vesúvio em 1906

O orgulho da construção e o espírito da industrialização, que tomavam a todos naquela época, logo serviram de impulso para que se pensasse numa rápida reconstrução. Os danos foram logo reparados e, já em 1909, o funicular voltou a funcionar.

Acontece que, dois anos depois, em 12 de março de 1911, uma nova erupção destruiu a estação superior novamente. E mais uma vez, ainda com maior rapidez, foram feitos os trabalhos necessários em apenas um ano, e o sistema voltou a funcionar plenamente. E mais, teve a sorte de ficar intacto quando ocorreu outra erupção, em 1929. Isso mesmo, tinham sido 3 erupções desde a inauguração, duas destruidoras, uma felizmente benevolente.

Contudo, em 1944, o Vesúvio entrou em erupção novamente. E, desta vez, o funicular não foi poupado, foi mais uma vez destruído. E, para piorar a situação, isso ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. Dali em diante, o funicular nunca mais foi reconstruído.

Vesúvio em erupção
Erupção no monte Vesúvio
Março de 1944: Monte Vesúvio durante sua pior erupção em mais de 70 anos. No primeiro plano vemos a cidade de Nápoles. (Keystone/Getty Images)

A decisão por não serem mais feitas reconstruções, claro, é um cuidado que faz muito sentido se considerarmos que o Vesúvio já entrou em erupção outras dezenas e dezenas de vezes ao longo da história, após a destruição de Pompeia e Herculano. Ironicamente, porém, o que seria curioso para tantos italianos que trabalharam arduamente nas reconstruções ao longo do século 20, o vulcão está adormecido desde 1944, e de lá pra cá não tivemos nenhuma erupção nova.

Apesar de não ter sido mais reconstruído, a história do funicular italiano do Vesúvio foi uma inovação tecnológica tão grande e única na época que inspirou vários países a adotarem esse sistema de transporte como um diferencial importante no turismo local de cada região. Temos inclusive um exemplo brasileiro, o funicular de Santos, que percorre 147 metros da encosta do Monte Serrat! Quer conhecer, recomendamos assistir ao Passeio em Santos a bordo do FUNICULAR DO MONTE SERRAT

Outras versões de funiculares

Outros exemplos de funiculares que surgiram depois da criação italiana são:

  • Chaumont Panoramic Funicular Railway, em La Coudre, Neuchatel, Suíça.
  • Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal
  • Monte Pilatus – Suíça
  • Salzburg – Áustria
  • Polybahn – Zurique – Suíça
  • Montmartre – Paris, França
  • Voilà – Noruega
  • Kiev – Ucrânia
Funicular em Paris
Paris
Funicular Portugal
Portugal
Funicular Noruega
Funicular Noruega
Funicular Kiev
Funicular Kiev

Os legados

Apesar de os funiculares terem se tornado uma atração turística em diversas cidades ao redor do mundo, a música “Funiculì, Funiculà” guarda a história e serve como um forte símbolo da alegria de viver e da ascensão apaixonada que a cultura napolitana vivenciava no período de modernização, num caminho raro de uma busca humana por uma comunhão entre indústria e o espaço definitivo da natureza. O que podemos observar nessa tentativa é o poder maior da natureza, que nos atrai até para perto de suas belezas destruidoras, mas que também nos afasta sem dificuldade, e demarca certos limites que, se bem observados, nos fazem aprender e celebrar nossos sonhos através de outras linguagens, como a da música, que se faz inabalável de geração em geração, com palavras que ecoam fora do alcance de qualquer erupção. E a canção, por sua vez, pode nos lembrar da importância de aproveitar a vida, explorar novos horizontes e celebrar a alegria de contemplarmos a natureza, enquanto subimos e subimos por onde conseguirmos. Funiculì, Funiculà!

A letra da música

Agora, aproveitem abaixo a letra da música, no dialeto napolitano e, depois, em português.

E para ir ainda além e conhecer as variações para o italiano, a partir da composição no dialeto napolitano (como “jammo” e “andiamo”), é só clicar aqui: https://www.portanapoli.com/Ita/Cultura/canzone-napoletana/funiculi.html

Letra original (em napolitano)

Aissera, oje Nanniné, me ne sagliette,

tu saje addó, tu saje addó

Addó ‘stu core ‘ngrato cchiù dispietto

farme nun pò! Farme nun pò!

Addó lu fuoco coce, ma se fuje

te lassa sta! Te lassa sta!

E nun te corre appriesso, nun te struje

sulo a guardà, sulo a guardà.

Jamme, jamme ‘ncoppa, jamme jà,

Jamme, jamme ‘ncoppa, jamme jà,

funiculì, funiculà!

funiculì, funiculà!

‘ncoppa, jamme jà,

funiculì, funiculà!

Né, jamme da la terra a la montagna!

Nu passo nc’è! Nu passo nc’è!

Se vede Francia, Proceta e la Spagna…

Io veco a tte! Io veco a tte!

Tirato co la fune, ditto ‘nfatto,

‘ncielo se va, ‘ncielo se va.

Se va comm’ ‘a lu viento a l’intrasatto,

guè, saglie, sà!

Jamme, jamme …

Se n’è sagliuta, oje né, se n’è sagliuta,

la capa già! La capa già!

È gghiuta, po’ è turnata, po’ è venuta,

sta sempe ccà! Sta sempe ccà!

La capa vota, vota, attuorno, attuorno,

attuorno a tte! Attuorno a tte!

Stu core canta sempe nu taluorno:

Sposamme, oje né! Sposamme, oje né!

Jamme, jamme …

Tradução para o português

Ontem à tarde, oi Aninha, eu fui,
sabes para onde, sabes para onde?
Para onde este coração ingrato não pode me desprezar mais!
Onde o fogo queima, mas se tu foges
ele deixa estar!
E não te persegue, não te consome,para que vejas o céu!…
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
Funiculì – funiculà, funiculì – funiculà!
Pro topo vamos, já, funiculì – funiculà!

Vamos do sopé à montanha, Aninha! Sem (termos de) caminhar!
Podes ver a França,a Prócida e a Espanha…
e eu vejo a ti!
Puxados por uma corda, antes de nos darmos conta,
vamos para o céu…
Vamos rápidos como o vento e de repente, já saímos!
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
Funiculì – funiculà, funiculì – funiculà!
Pro topo vamos, já, funiculì – funiculà!

Subimos, Aninha, já chegamos ao topo!
(O funicular) Foi, e retornou, e voltou novamente…
Está sempre aqui!
O topo gira, gira, ao redor, ao redor,
ao redor de ti!
Este coração canta sempre
e não é arrogante
Vamos nos casar, Aninha!
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
Funiculì – funiculà, funiculì – funiculà!
Pro topo vamos, já, funiculì – funiculà!

Traduzido com ajuda do dicionário da “Storia di Napoli” 

Aproveite para ler mais sobre o Vesúvio em nosso artigo aqui do blog: Poesia ao redor do Vesúvio

A presto!

A tarantella: a surpreendente origem da dança italiana

A tarantella: a surpreendente origem da dança italiana

A tarantella é uma das danças mais icônicas e vibrantes da Itália, conhecida por seus movimentos rápidos, ritmo enérgico e espírito apaixonado. Essa dança cativante tem raízes profundas na história e cultura italianas, e tudo começou em Taranto, cidade localizada no sul da Itália. Hoje vamos descobrir o que impulsionou essa expressão cultural e os significados que ela tem ainda hoje, na Itália e no mundo, quando realizada em festas típicas italianas.

Tarantela a dança popular italiana

Como é o caso de todas as expressões culturais antigas, que datam de séculos e mais séculos, as origens mais precisas são difíceis de rastrear: por exemplo, quem terá sido a primeira pessoa a realizar a dança? Não saberíamos apontar uma data específica, nem um nome. Há uma longa história de diversas influências culturais que moldaram essa dança. No entanto, a etimologia da palavra nos permite rastrear sua origem e o que podemos descobrir é algo bastante surpreendente e pouco sabido!

Origem da Tarantella

O nome “tarantella” vem de “taranta”, que é um termo do dialeto das regiões do sul da Itália, que nomeava a tarântula Lycosa, uma aranha venenosa muito encontrada no sul da Europa, e em particular, justamente, na zona rural de Taranto, de onde leva o seu nome. Estudiosos apontam que vocábulos como tarantela, taranta e tarantismo derivam, portanto, do nome da cidade de Taranto, que viria de uma raiz linguística mais antiga.

Nessas áreas, a dança da tarantela está parcialmente ligada a algo curioso: a terapia da mordida da tarântula. A tradição atribuía ao veneno desta aranha efeitos diversos, dependendo das crenças locais: melancolia, convulsões, sofrimento mental, agitação e dor física.

Quem era picado ou acreditava ter sido picado por uma tarântula ganhava no corpo um dinamismo exagerado, por isso seria uma prática a terapia de coreografias ao som de música, especialmente eficazes durante festas, como dos Santos Pedro e Paulo. O que se sabe é que, por meio da prática da dança, seria possível a expulsão do veneno através do suor. Como forma de cura, a dança frenética da tarantella então ajudaria a acelerar a circulação sanguínea, permitindo que o veneno fosse expelido do corpo. Essa compreensão não seria necessariamente acessada dessa maneira naquela época, quando as crenças populares difundidas eram de que a dança funcionaria como uma espécie de trabalho espiritual para liberar o corpo do veneno.

Dança Romana

No entanto, é importante considerar que toda expressão cultural dessa magnitude não é criada a partir do nada. Há muitos elementos da tarantella, como a dança em círculo que veremos mais adiante, que nos remetem a movimentos da dança praticada pelos gregos e pelos romanos. Festas pagãs e rituais dionisíacos reuniam pessoas que se expressavam através da dança de grupo e que, portanto, desenvolviam simbologias, linguagens corporais e sentidos que, assim como acontece no desenvolvimento das línguas, criaram marcas e deixaram rastros duradouros para as expressões culturais que viriam a nascer mais tarde.

História da dança romana
Representação da Dança Romana

A tarantella ao longo do tempo

A Tarantella evoluiu ao longo dos séculos, adaptando-se às mudanças culturais e sociais da Itália. Durante o Renascimento, a dança era popular nas cortes nobres e era frequentemente realizada em celebrações da alta sociedade. Ela foi incorporada em peças de teatro e óperas da época, tornando-se uma parte essencial da cultura italiana.

Com o tempo, a Tarantella também se espalhou para diferentes regiões da Itália, cada uma desenvolvendo sua própria variação da dança. As versões regionais da Tarantella são muitas vezes reconhecidas por seus trajes tradicionais distintos e variações nos passos de dança.

Origem da dança tarantela

No século XIX, a Tarantella experimentou um ressurgimento de popularidade na Itália, quando a dança foi incorporada em festivais folclóricos e se tornou uma forma de celebrar a identidade italiana.

Hoje, a tarantella continua viva na cultura italiana, sendo realizada em festivais ao redor do mundo, em casamentos e em outras celebrações italianas. Ela também é uma atração turística popular, com muitos visitantes estrangeiros encantados pela energia e pela paixão dessa dança tradicional.

Na prática

A dança acontece formando-se um círculo, que gira e dança no sentido horário até a música se tornar rápida, quando todos trocam de direção. O ciclo de idas e vindas ocorre algumas vezes, gradualmente ganhando uma velocidade tão grande que se torna difícil manter o ritmo. O som é composto pela voz de um cantor central, acompanhado por tamborim e castanholas.

As origens podem ser misteriosas, cheias de explicações inusitadas, mas o resultado é uma expressão corporal cheia de vida, que assim representa hoje, e já há muito tempo, a alegria de viver, a celebração de um grupo que encontra harmonia e vence o desafio de não tropeçar nos erros que surgirem nos passos cada vez mais rápidos dos companheiros de dança – a vida acelerada pedindo união, e a resposta da dança: conexão com as tradições ancestrais podem nos levar de volta a nós mesmos. A tarantella é verdadeiramente uma jóia da cultura italiana que continua a encantar e inspirar pessoas em todo o mundo!

Quer assistir a uma tarantella típica? Então aproveite a gravação abaixo, de muito sucesso no YouTube, feita na Itália, uma autêntica dança da tarantella durante uma festa em um restaurante! Registros como esse nos permitem enxergar um pouco do que teria sido, há séculos, expressões culturais em círculos pequenos, com poucas pessoas assistindo, em tavernas, em lugares desconhecidos, em casamentos não registrados nos livros de história!

Tarantela – Dança italiana

Tarantella a dança italiana

Também recomendamos os registros feitos há anos pelo canal Tarantolato Oficial, em que estão publicadas algumas danças realizadas na Itália, em eventos pequenos e grandes.

Agora, me diga: você gosta de aprender com música? Pois então vamos relembrar um grande sucesso dos últimos anos, Amaremare, uma canção da artista pop contemporânea, Dolcenera, que inclusive inserimos em uma das nossas aulas em formato de live, quando o Prof. Darius analisou a letra da canção.

Se você já conhece, ou se ainda não ouviu, é uma grande chance de se movimentar, dançar e estudar com alegria e reflexão, pois a letra é bela!
Aproveite e clique aqui para assistir à aula com música do Prof. Darius:

Buona visione!

A presto!

A evolução das representações de Vênus na arte italiana

A evolução das representações de Vênus na arte italiana

A mitologia greco-romana tem sido uma fonte inesgotável de inspiração para a arte ao longo dos séculos, e a figura de Vênus, a deusa do amor, da beleza e da fertilidade, desempenhou um papel proeminente na arte italiana. A evolução das representações de Vênus na arte italiana ao longo dos séculos reflete não apenas a mudança de estilos artísticos, mas também as mudanças culturais e sociais que ocorreram na Itália.

O Nascimento de Vênus de Sandro Botticelli
“O Nascimento de Vênus”, Sandro Botticelli

Na era renascentista, a arte italiana floresceu e buscou recuperar na mitologia clássica os símbolos e significados ideais para a compreensão e a representação do mundo. Artistas como Sandro Botticelli, nascido em Florença, e Tiziano (Ticiano em português), nascido em Pieve di Cadore, ficaram famosos por suas representações de Vênus. Uma das obras mais icônicas desse período é “O Nascimento de Vênus”, pintado por Botticelli por volta de 1484-1486. Nesta obra, Vênus é retratada emergindo do mar, nua e em uma concha, simbolizando a beleza e a pureza. O renascimento trouxe uma ênfase na harmonia, proporção e realismo, e isso se reflete nas obras que retratam Vênus.

No período barroco, artistas como Ticiano deram uma reviravolta ao retratar Vênus. Em sua famosa pintura “Vênus de Urbino”, de 1538, Ticiano apresenta uma Vênus de uma forma mais sensual e provocante. A figura de Vênus nua em uma pose reclinada e com olhar sedutor desafia as convenções da época, mas também reflete uma mudança na representação da sexualidade na arte.

Venus de Urbino de Ticiano
“Vênus de Urbino”, Ticiano

Já no século XIX, houve um movimento que buscou recuperar traços da arte que existia antes do gênio renascentista italiano Rafael, foi fundado na Inglaterra e tinha a intenção de reencontrar estilos artísticos que pudessem recriar representações clássicas, por isso Vênus voltou a ser uma figura proeminente em algumas obras. Artistas ingleses como Dante Gabriel Rossetti retrataram Vênus com um toque romântico, incorporando elementos do simbolismo e da natureza. Vênus era frequentemente representada em paisagens exuberantes e envolta em mistério.

Venus Verticordia - Dante Gabriel Rossetti
“Venus Verticordia”, Dante Gabriel Rossetti

Já na virada do século XX, a Itália voltou a testemunhar um período de intensa inovação artística. Artistas como Amedeo Modigliani, nascido em Livorno, em 1884,exploraram novas formas de representar Vênus. Modigliani, conhecido por seu estilo de retratos alongados e estilizados, pintou Vênus de uma maneira única e moderna – combinando elementos clássicos com um toque de abstração.

Vênus de Amedeo

A evolução das representações de Vênus na arte italiana reflete não apenas mudanças no estilo artístico, mas também nas atitudes culturais em relação à beleza e à mitologia. Desde a pureza renascentista até a sensualidade barroca e as interpretações românticas e modernas, Vênus continuou a ser uma figura cativante para os artistas italianos.

Amedeo Clemente Modigliani
Venus Botticelli na IA

Na era da inteligência artificial

Nos dias de hoje, ao contrário da evolução artística que vimos, a figura de Vênus também já caiu no automatismo das criações da inteligência artificial. Como veremos abaixo, ao retirarmos a genialidade dos pintores da equação da arte, o que podemos acabar descobrindo é um esvaziamento do significado dos símbolos e das representações artísticas.

Vênus é tão presente na cultura mundial que foi utilizada recentemente, em 2023, não para a continuidade de suas representações na arte da pintura, mas para fins publicitários, em uma campanha que revoltou muitos italianos. A imagem utilizada foi especificamente a de Botticelli. Sua Vênus apareceu transformada em influenciadora digital em uma representação gerada por computador para promover o turismo na Itália. O motivo da revolta: foi uma criação do próprio Ministério do Turismo italiano, que imaginou que pudesse gerar interesse aos viajantes sem causar polêmicas. A Vênus do pintor italiano aparece comendo pizza e tirando selfies para postar no instagram.

Vênus de Botticelli Campanha do turismo italiano

Na imprensa e em redes sociais, as pessoas expressaram descontentamento, dizendo que as imagens banalizam a obra e também as paisagens.

Uma das mensagens que foi alvo de críticas misturava idiomas, com traduções automáticas para turistas de todo o mundo, dizendo: “Quem melhor do que eu para levar você para descobrir este lindo país, em qualquer época do ano? Eu sou Vênus. O ícone da Itália no mundo de hoje”.

Vênus de Botticelli por IA na campanha do turismo italiano

A deusa do amor e da beleza tem sido retratada de inúmeras maneiras ao longo dos séculos, refletindo as mudanças estilísticas e as transformações culturais que ocorreram na Itália e no mundo da arte. Ela permanece como um símbolo duradouro de inspiração e fascinação, continuando a encantar espectadores e a influenciar artistas contemporâneos.

E a evolução das possibilidades de representações de Vênus na arte italiana, apesar de qualquer desagrado recente, é um testemunho da riqueza e da complexidade da cultura e da criatividade italianas.

Vênus de Botticelli no turismo italiano

E você? O que achou disso?

Aproveite para assistir ao vídeo em que o Prof. Darius caminha pelas ruas de Firenze mostrando dicas para viajantes. Essa é a cidade onde o turismo cultural permite conhecer de perto a história da arte e ver com os próprios olhos criações de gênios como Sandro Botticelli, que vimos ao longo deste artigo. Um de seus quadros mais famosos, “Alegoria da Primavera”, está em exposição em Firenze, desde 1919, na Galeria Uffizi. Pintada em 1482, é considerada uma das pinturas mais faladas e mais controversas do mundo!

Buona visione!

A presto!

Viva o Scoppio del Carro: uma Páscoa como nenhuma outra

Viva o Scoppio del Carro: uma Páscoa como nenhuma outra

O “Scoppio del Carro” é uma das tradições mais antigas de Florença. Surgiu por volta de 1600 e ocorre durante a Páscoa. Essa festividade, que também é conhecida como “A Explosão da Carruagem”, tem raízes medievais e é um dos eventos mais curiosos que os turistas desavisados podem testemunhar.

Scoppio del Carro em Firenza Itália

O evento

O evento inicia-se com um carro, ou melhor, uma carroça, coberta de fogos de artifício, conhecida como “Brindellone”, que é puxada por bois brancos ornamentados. Ela é estacionada em frente à Basílica de Santa Maria del Fiore, a deslumbrante Catedral de Florença. Durante a missa de Páscoa na catedral, um fio com uma pomba de madeira, chamada de “colombina” (que representa o Espírito Santo), é acionado por um cabo de segurança que percorre a catedral, eis então o momento do volo della colombina . Ao final da missa, o Arcebispo de Florença acende um foguete em forma de pomba, que simboliza a bênção divina.

Esse foguete é então aceso e percorre o cabo até a carroça, onde há uma pilha de fogos de artifício prontos para explodir. Os efeitos pirotécnicos incluem fogos que giram e lançam faíscas para todos os lados, por isso tudo é feito com uma distância segura da população, que assiste ao espetáculo por trás de uma cerca de proteção.

Palagio di Parte Guelfa

O Palagio di Parte Guelfa também faz parte do evento. É um Palácio que foi sede de um dos partidos políticos do século XIV, os guelfos. E hoje é dali que os grupos de cortejo se deslocam para expor suas vestimentas e habilidades acrobáticas. Antes do volo della colombina, eles passam pela Piazza della Signoria e depois se reúnem com os sbandieratori na Piazza della Repubblica. Deste cortejo participam figurantes de nobreza fiorentina vestidos de época renascentista, os balestieri (balestra), um representante de cada time do calcio storico e porta bandeiras com os símbolos das Artes (sindicatos de época medieval).

Palácio do Partido dos Guelfos
Palácio do Partido dos Guelfos

Sbandieratori

Os sbandieratori, por sua vez, são um grupo performático de agitadores de bandeira que nasceu em Figline Valdarno em 1965, a partir da vontade de alguns jovens entusiastas. Desde 1973, após uma breve passagem pelo Calcio Storico Fiorentino, o grupo afirmou a sua independência, fortalecendo a sua identidade e o seu prestígio.

Eles atuam com sucesso na Itália e no exterior, levando a tradição toscana para todo o mundo. São inúmeros os elementos de vestimenta que eles carregam como símbolos do tempo medieval e se dividem em capitães, tambores, clarins e agitadores de bandeiras, com uma escola de bandeiras que remonta à antiga tradição da agitação de bandeiras militares, com varas de madeira artesanais e tecidos bordados com muita técnica e atenção aos mínimos detalhes estéticos e históricos.

Sbandieratori na Italia
Desfile Sbandieratori na Italia
Festa Scoppio del Carro na Italia

Na estrutura de madeira do Brindellone está esculpido o brasão da Família Pazzi, que por muitos séculos foi a organizadora do evento. Mas a celebração não se prende a raízes familiares, pois sua essência está em suas conotações de comunhão social e de simbologia religiosa, já que a Páscoa é uma das festividades cristãs mais importantes. Esse espetáculo unicamente florentino diversifica as representações da ressurreição de Jesus Cristo e da renovação da vida, tornando o evento uma comemoração teatral, social e literalmente explosiva. O “Scoppio del Carro” é portanto uma maneira de marcar a data de uma forma que envolve narrativa e, verdadeiramente, espetáculo.

Tradição

A realização da festa, em cada uma das suas etapas, atrai tanto os fiéis quanto turistas e moradores que possam se considerar apenas amantes da cultura e da história. É uma celebração que acolhe a todos e que combina elementos estéticos da história e da religião, numa interação social bastante reveladora do que, ainda hoje, explica o valor incomparável de Florença como um patrimônio da humanidade.

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Por que as vespas italianas são as scooters mais famosas do mundo?

Por que as vespas italianas são as scooters mais famosas do mundo?

A Vespa é uma das scooters mais icônicas e amadas do mundo. Muito mais do que apenas um meio de transporte, ela é um símbolo de engenhosidade, design italiano e liberdade. Neste artigo, vamos explorar a história das vespas italianas, desde seus humildes primórdios até se tornarem um fenômeno global.

Vespas italianas

Os primeiros passos

A história da Vespa começa nos anos 1940, quando a Itália estava se recuperando dos estragos da Segunda Guerra Mundial. A empresa Piaggio, fundada em 1884, era originalmente uma fabricante de navios, trens e motores. No entanto, com a necessidade de transporte pessoal acessível e eficiente após a guerra, a Piaggio decidiu diversificar seus negócios e criar uma scooter.

Fábrica de vespas italianas

O engenheiro aeronáutico Corradino D’Ascanio, conhecido por sua experiência em aviação, foi o cérebro por trás do design inovador da Vespa. Em vez de seguir os padrões das motocicletas da época, ele projetou uma scooter com estrutura monocoque, motor embutido e uma transmissão automática, características revolucionárias para a época. E o nome “Vespa” não precisa nem de tradução para nós, significa exatamente “vespa” em italiano, e foi escolhido devido à aparência do veículo e ao som de seu motor.

Vespas da Italia

Em 1946, a primeira Vespa, modelo Vespa 98, foi lançada. Ela conquistou rapidamente o coração dos italianos e, em seguida, do mundo. Essa scooter foi uma das principais responsáveis por democratizar a mobilidade na Itália do pós-guerra, permitindo que as pessoas se deslocassem de forma eficiente e acessível.

As evoluções e os modelos clássicos

Com o sucesso da Vespa 98, a Piaggio continuou a desenvolver novos modelos e a aprimorar a scooter ao longo dos anos. A Vespa 125, lançada em 1948, foi a primeira a receber um farol dianteiro totalmente integrado ao paralama. Esse design icônico é uma das marcas registradas das Vespas clássicas.

Vespa italiana 125
Vespa 125

Ao longo das décadas, a Vespa passou por várias transformações e atualizações. O modelo Vespa 150, introduzido na década de 1950, se tornou um dos mais populares. Posteriormente, surgiram modelos como a Vespa Primavera e a Vespa PX, que se tornaram queridinhas dos entusiastas de scooters em todo o mundo.

A Vespa na cultura pop

A Vespa não é apenas um veículo; ela se tornou um ícone da cultura pop e do estilo de vida italiano. Sua presença em filmes de sucesso internacional, como “Roman Holiday” (A Princesa e o Plebeu), ajudou a solidificar sua imagem de um símbolo de romance e aventura. A Vespa também esteve presente em capas de revistas de moda e em várias músicas e letras de canções.

Vespas e cultura pop
Vespas italianas e cultura  pop

O fenômeno global

A popularidade da Vespa se espalhou rapidamente para além das fronteiras italianas. A scooter conquistou os corações de pessoas em todo o mundo, tornando-se um símbolo de mobilidade urbana inteligente. Seus modelos continuaram a evoluir, incorporando tecnologias modernas, mas sempre mantendo o design clássico que a tornou famosa.

Vespa italiana - fenômeno global

A Vespa hoje

Hoje, a Vespa continua sendo fabricada pela Piaggio e é vendida em mais de 80 países. Não deixou de ser uma escolha popular entre os amantes de scooters, tanto para uso cotidiano quanto para lazer. E a tradição estética prevalece mesmo tantas décadas depois: os modelos modernos mantêm a essência do design original, com atualizações tecnológicas para atender às demandas dos tempos atuais.

Vespa italiana atual

Aqui no blog temos acompanhado ao longo das últimas semanas diversas criações originais da Itália, que carregam a cultura italiana para além das fronteiras. Dentre a variedade dessas criações de valor internacional, vimos uma prevalência de tradições milenares e seculares, a maioria do tempo do antigo Império Romano. Mas as raízes criativas da Itália são tão fortes que pudemos comprovar hoje que cabe, entre tantas tradições, também algo do tempo da indústria e da tecnologia.

A Vespa italiana é muito mais do que uma scooter; é um ícone que encapsula a paixão, o estilo de vida e a inovação italiana. Sua história rica e seu design atemporal fazem dela um objeto de desejo para colecionadores e entusiastas em todo o mundo. Que elas continuem a correr pelas ruas estreitas de burgos e comunas distantes e pelas avenidas das grandes cidades! Longa vida à Vespa!

A presto!