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Universidade mais antiga do mundo: quem merece o título?

Qual é a universidade mais antiga do mundo? A pergunta parece simples, mas quem se aprofunda na história do ensino superior descobre algo fascinante: a resposta depende do critério que você escolhe. Duas instituições dividem esse título com argumentos sólidos, fontes respeitáveis e séculos de tradição, e o debate entre elas revela muito mais sobre o que significa, afinal, educar e produzir conhecimento.

Universidade mais antiga do mundo

De um lado, Al-Qarawiyyin, fundada em 859 d.C. em Fez, no Marrocos, reconhecida pelo Guinness World Records como a instituição de ensino superior em funcionamento contínuo mais antiga do mundo. Do outro, a Universidade de Bolonha, fundada em 1088 na Itália, berço do modelo universitário ocidental e a origem da própria palavra “universidade”. Nenhuma das duas perde esse debate: cada uma é pioneira em seu campo. Entender por quê é o que este artigo se propõe a fazer.

O que define uma “universidade”: os critérios que mudam tudo

Antes de apontar qualquer vencedora, é preciso entender por que o debate existe. Não há consenso universal sobre o que transforma uma instituição de ensino em uma “universidade” no sentido pleno da palavra. Historiadores e organismos internacionais utilizam critérios distintos, e o critério adotado define o resultado.

Critérios para definir a universidade mais antiga do mundo

Os historiadores costumam recorrer a três parâmetros centrais: funcionamento ininterrupto desde a fundação, capacidade de conceder diplomas formais e estrutura institucional autônoma com corpo docente e discente organizado. Uma escola religiosa medieval pode ser centenária e influente sem, necessariamente, ser uma universidade no sentido que conhecemos hoje. Esse é exatamente o ponto onde o debate se acende.

Uma madrassa islâmica do século IX não operava da mesma forma que uma corporação acadêmica italiana do século XI. Isso não significa que uma seja inferior à outra, apenas que cumprem critérios diferentes. E é justamente por isso que Al-Qarawiyyin e Bolonha coexistem nessa disputa sem se anular.

Por que o critério escolhido define o vencedor

Se o critério for operação contínua desde a fundação, a resposta aponta para Fez. Se for o primeiro modelo universitário ocidental reconhecível, com autonomia institucional, graus formais e a estrutura que influenciou Oxford, Cambridge e Pádua, a resposta aponta para a Itália. Nenhuma das duas reivindica o mesmo título: elas disputam categorias distintas, como ficará claro nas seções seguintes.

Al-Qarawiyyin: 859 d.C. e o reconhecimento do Guinness

A história de Al-Qarawiyyin começa com uma mulher. Fatima al-Fihri, nascida na Tunísia e radicada em Fez, usou a herança do pai para comprar um terreno e financiar a construção de uma mesquita com madrassa. As obras começaram no primeiro dia do Ramadã de 859, no ano 254 do calendário islâmico. O que nasceu como um espaço de oração e estudo islâmico evoluiu, ao longo dos séculos, para um centro de ensino que atraiu estudiosos de todo o mundo árabe. Para uma visão detalhada sobre Fatima al‑Fihri e a evolução da instituição, veja a matéria dedicada à fundadora e à história de Al‑Qarawiyyin: Fatima al‑Fihri e a Universidade Al‑Qarawiyyin.

Al-Qarawiyyin Universidade

Fatima al-Fihri e a fundação em Fez

A instituição começou a conceder diplomas entre 1040 e 1147, durante o domínio almorávida, segundo o historiador Mohammed Al-Manouni. O mais antigo certificado médico documentado data de 1207. A fonte textual mais antiga sobre a fundação é o Rawd al-Qirtas, obra do historiador Ibn Abi Zar no século XIV, embora historiadores reconheçam que os detalhes sobre Fatima al-Fihri sejam escassos e dependam, em grande parte, dessa fonte única.

A principal limitação do argumento de Al-Qarawiyyin é que a instituição só foi formalmente integrada ao sistema universitário marroquino em 1965. Para alguns historiadores, isso enfraquece o rótulo de “universidade” para os séculos anteriores. Para outros, a continuidade das atividades educacionais é o que realmente importa, independentemente de classificações administrativas modernas.

O que o Guinness reconhece

O Guinness World Records reconhece Al-Qarawiyyin como a universidade mais antiga do mundo em funcionamento contínuo, com base na data de 859. Esse reconhecimento considera tanto a continuidade das atividades educacionais quanto a capacidade da instituição de conceder diplomas ao longo da história. Trata-se de um título de longevidade operacional, não necessariamente de modelo acadêmico, e é com essa leitura que a maioria dos organismos internacionais trabalha ao discutir o reconhecimento de instituições históricas de ensino superior. Mais informações gerais sobre a universidade podem ser consultadas no artigo da Wikipédia: Universidade de al‑Qarawiyyin, Wikipédia.

A Universidade de Bolonha: onde a palavra “universidade” nasceu

Em 1088, no norte da Itália, algo novo aconteceu. Um grupo de juristas e estudiosos do Direito Romano se organizou de forma autônoma, formando uma corporação de estudantes e mestres com direitos próprios. Não havia nenhuma instituição parecida no mundo ocidental. Essa corporação ficou conhecida como universitas , e o nome nunca mais saiu de uso.

Universidade de Bolonha

1088 e o nascimento da primeira universitas ocidental

O modelo bolonhês era revolucionário por uma razão específica: os estudantes tinham poder real. Eles contratavam professores, negociavam salários, estabeleciam regras e podiam penalizar docentes que não cumprissem suas obrigações acadêmicas. Era um sistema de baixo para cima, radicalmente diferente das escolas catedrais controladas pela Igreja. A instituição operava de forma independente por seu primeiro século de existência, com foco no Direito Romano e no raciocínio jurídico secular.

A palavra “universidade”, no sentido que usamos hoje, nasceu dessa experiência italiana. O termo universitas designava originalmente qualquer corporação com personalidade jurídica; foi o modelo de Bolonha que associou o conceito definitivamente ao ensino superior. Bolonha também foi a primeira instituição a estabelecer requisitos acadêmicos formais e a conceder diplomas com valor institucional reconhecido. Para uma referência em português sobre a própria instituição, consulte a entrada da Wikipédia: Universidade de Bolonha, Wikipédia (PT).

Por que Bolonha é mais do que uma data no calendário

A influência de Bolonha se propagou por toda a Europa medieval. A Universidade de Pádua foi fundada em 1222 por estudantes e professores que deixaram Bolonha em busca de mais liberdade acadêmica. Salamanca adotou o modelo de estudos de direito canônico inspirado na tradição bolonhesa. Oxford e Cambridge desenvolveram suas próprias estruturas, mas beberam do mesmo conceito de corporação acadêmica autônoma que Bolonha havia inaugurado.

O peso histórico de Bolonha está diretamente conectado à língua italiana como veículo de transmissão do saber por séculos. Grandes debates jurídicos, filosóficos e científicos circulavam em latim ensinado, debatido e comentado no ambiente intelectual italiano. A península não era apenas um lugar no mapa: era o epicentro do pensamento acadêmico medieval ocidental. Para entender melhor a história da língua italiana e sua relação com esse legado, vale conferir materiais que traçam essa evolução.

As outras candidatas que não podem ser ignoradas

Além das duas principais, outras instituições merecem menção nessa lista. Al-Azhar, fundada em 970 no Cairo, surgiu como mesquita e centro de ensino islâmico e opera continuamente até hoje, sendo uma das instituições religiosas mais influentes do mundo. Oxford, com ensino documentado desde aproximadamente 1096, tornou-se a universidade de língua inglesa mais antiga ainda em funcionamento. Cambridge nasceu em 1209 de uma cisão com Oxford, quando estudantes e professores deixaram a cidade após tensões com a população local.

Al-Azhar, Salamanca, Pádua e a tradição italiana

Salamanca foi oficialmente reconhecida pelo rei Afonso IX em 1218, com origens que remontam a 1134. Pádua, fundada em 1222, é a segunda universidade italiana mais antiga em operação contínua. A Universidade Federico II de Nápoles, criada em 1224 pelo imperador Frederico II, figura entre as primeiras universidades estatais do mundo. Coimbra, fundada em Lisboa em 1290 e transferida definitivamente para sua cidade atual em 1537, é a instituição universitária portuguesa mais antiga e Patrimônio Mundial da UNESCO.

Vale destacar que três universidades italianas, Bolonha, Pádua e Nápoles, figuram entre as dez mais antigas do mundo ocidental em operação contínua. Isso reforça o papel da península itálica como epicentro do pensamento acadêmico medieval, uma herança que vai muito além de uma data de fundação. Para quem se interessa por listas e comparativos sobre as universidades mais antigas, há compilações que colocam essas instituições em contexto histórico e cronológico.

O que diferencia operação contínua de mera origem histórica

Taxila, no atual Paquistão, funcionou como centro de ensino desde aproximadamente 700 a.C. e é frequentemente citada como precursora das universidades. No entanto, Taxila não existe mais como instituição ativa: é um sítio arqueológico. A continuidade operacional, o que estudiosos chamam de “universidade mais antiga em atividade”, é um critério inegociável nessa lista. Sem ela, qualquer antiguidade histórica fica fora do debate sobre qual instituição realmente nunca parou de funcionar.

Universidade mais antiga do mundo: Al-Qarawiyyin vs. Bolonha

A resposta para “qual é a universidade mais antiga do mundo” não é única, ela é direta, desde que você especifique o critério. Veja o mapa objetivo:

  • Operação contínua mais longa: Al-Qarawiyyin (859 d.C.), reconhecida pelo Guinness World Records como a universidade mais antiga do mundo em atividade.
  • Primeira a conceder diplomas formais: Al-Qarawiyyin, com certificados documentados a partir do século XIII.
  • Primeiro modelo universitário ocidental: Universidade de Bolonha (1088), com autonomia institucional, corpo docente contratado e estrutura de corporação acadêmica.
  • Origem da palavra “universidade”: Bolonha, cuja universitas deu nome ao conceito que o mundo inteiro usa até hoje.

Não há contradição entre esses títulos. São respostas diferentes para perguntas diferentes. A maioria dos historiadores reconhece Al-Qarawiyyin pela longevidade contínua e Bolonha pelo modelo universitário moderno. Cada uma é pioneira no seu próprio campo, e nenhuma das duas precisa ceder espaço à outra.

O italiano: a língua de séculos de saber acadêmico

Entender esse debate histórico é também entender o italiano de uma forma diferente. O italiano não é apenas o idioma de um país: é a língua de uma civilização que criou o modelo universitário ocidental, abrigou figuras como Dante, Galileu e Da Vinci, e continua sendo a língua de instituições centenárias como Bolonha, Pádua e Nápoles, que até hoje atraem estudantes de todo o mundo. Aprender italiano é entrar em contato com uma tradição intelectual de mais de 900 anos de profundidade.

Da Bolonha medieval à herança que ainda pulsa hoje

O Brasil tem uma das maiores diásporas italianas do planeta, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Para milhões de brasileiros, o italiano não é uma língua estrangeira qualquer: é a língua dos antepassados, dos documentos de cidadania, das receitas de família. É também o caminho de reconexão com uma herança cultural riquíssima. Esse vínculo torna o aprendizado do italiano algo pessoal, não apenas acadêmico. Quem quer aprofundar-se na cultura pode explorar também as cidades históricas da Itália que carregam esse legado.

Como se conectar com essa herança hoje

A ITALICA, Escola Online de Italiano, foi criada para quem sente exatamente isso: que a língua italiana tem algo a oferecer além de um idioma. Com professores doutores e mestres pela USP e tutores nativos da Itália, a ITALICA oferece cursos estruturados do nível zero ao C1, com trilhas claras de progressão, conteúdo cultural e imersão real na língua. Uma escola com base acadêmica sólida e profundo vínculo com a cultura italiana, pensada para quem leva o idioma a sério. Para começar a praticar e mergulhar em expressões e ditados, vale conferir materiais sobre provérbios italianos que ajudam a compreender hábitos e mentalidades.

Aprender italiano é, de certa forma, aproximar-se da mesma tradição que gerou a primeira universitas do mundo ocidental. Poucos idiomas conseguem oferecer essa conexão com tanta profundidade histórica. Se você busca uma introdução estruturada ao idioma e à sua história, existem recursos que traçam a evolução da língua e sua importância acadêmica ao longo dos séculos.

Conclusão

A pergunta “qual é a universidade mais antiga do mundo” admite duas respostas legítimas. Al-Qarawiyyin, fundada em 859 em Fez, carrega o título de instituição de ensino superior em operação contínua mais antiga, reconhecido pelo Guinness World Records. A Universidade de Bolonha, fundada em 1088 na Itália, é a criadora do modelo universitário ocidental e a origem da própria palavra que define essas instituições até hoje.

O que esse debate revela é que a história do ensino superior é muito mais rica, diversa e geograficamente ampla do que os livros didáticos costumam mostrar. Uma filántropa no Marrocos do século IX e juristas italianos do século XI contribuíram, cada qual a seu modo, para construir a ideia de que o conhecimento merece uma instituição dedicada exclusivamente a ele.

Se esse percurso histórico despertou algo em você, especialmente a conexão com a Itália e sua língua, , vale explorar mais. A tradição que nasceu em Bolonha há mais de 900 anos continua viva, e a ITALICA existe para quem quer se aproximar dela a partir do idioma que a construiu. Para começar a se informar sobre a fundo a história da língua e as instituições que a moldaram, consulte conteúdos introdutórios sobre a história da língua italiana e fontes de referência sobre as universidades históricas mencionadas ao longo deste texto.

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